A ideia era acordar quando quisesse, tomar duas xícaras de café e o restante à vontade.
Olhar o céu e o sol, apreciar a vista, ouvir os passarinhos, acampar em casa e abraçar o amor ao ócio que tudo contém, pois o ócio vem da sabedoria de saber- se finito e profundamente solitário na vida que se escolhe viver.
Assim fiz meus planos de fim de semana. Um plano aberto e justo.
Aplicada a lei " lazer não é descanso", refiz parte de minha constatação atual de inovação de estética de ser humano amplamente desumano sob muitos aspectos. Tal nova acepção tem consumido minha vida mental e é possível que a necessidade de recolhimento seja produto do espanto frente ao monstro mas também ao santo que à minha nada santa e tão pouco monstruosa existência se assoma.
Pois que o descanso reine frente às constantes necessidades de reunificação de um mundo psíquico que outrora se viu ( ilusoriamente) inteiro e portanto facilmente desintegrável como de costume são as coisas. Parte de mim é história, parte é esforço e construção, parte é puro desejo e instinto. Às vezes essas delicadas partes se rompem. E é preciso resistir.
Desse modo, torto porém não superficial, eu mergulho em mim. Retomo as partes.
Reescrevo.
Somos feitos de frágil material. E para resistir às desumanidades e ao cansaço é preciso descansar e amar livremente o próprio vácuo que preenche provisoriamente o natural estado de apenas ser o que se é.
Digo a mim mesma : bem vinda à vida mais uma vez. E eu te amo.