segunda-feira, 25 de maio de 2015

Maldade, perdão e dúvida

As ruas do Rio de Janeiro me pareceram vazias nesse fim de semana.
Será que a cidade está de luto?
Na última quinta feira o médico Jaime Gold foi morto a facadas em plena Lagoa Rodrigo de Freitas às 18 horas. Tudo muito triste. Não o conhecia, mas o fato dele ser médico do Hospital do Fundão, onde eu estudei e me formei, e a proximidade com algumas pessoas que o conheciam tornou tudo pior. Trabalho no Jardim Botânico, vivo ao redor da Lagoa e já andei muito de bicicleta por lá. A Lagoa é nosso cartão postal e todos aqui no Jardim Botânico são íntimos de algum modo, dela.
Há pouco tempo, no máximo um mês, conversávamos aqui no JB sobre os assaltos e os esfaqueamentos, e falávamos que o reforço no policiamento era circunstancial até a próxima vítima. Rapidamente aconteceu. É revoltante.
Mas o que é, exatamente, revoltante? ( além da morte, é claro).
Não sabemos onde colocar nossa revolta.
Sempre que reclamamos de falta de segurança e policiamento, nos esquecemos do por que da existência da polícia. Os crimes são cometidos por falta de policiamento ou por falta de segurança? O que é uma coisa e o que é outra? Não seriam a mesmas coisa?
 O que afinal aconteceu para que nossa cidade precise de um policial a cada esquina para nos proteger de criminosos, a maioria desses, menores de idade e armados com facas? E agora, Jose?
Quem cometeu esse crime? Como o crime foi cometido?
Pela descrição que li nos jornais, ele apunhalou o médico pelas costas e, com o médico caído no chão, o esfaqueou no abdomen. O que é isso, afinal?
Será que um crime dessa brutalidade pode se justificar através de uma teoria de desamparo familiar e do Estado? Sinceramente, não creio. Infelizmente não creio.
Maldade é maldade, será sempre maldade.
Aos sociólogos será exigido muito cuidado nessa análise. Tipificar um crime cometido , provavelmente, por um desamparado de todos os lados. É preciso ter muito cuidado com a indulgência.
A pessoa que cometeu esse crime bárbaro seria criminosa em qualquer cultura, sob as melhores condicões.
Temos agora a dificílima tarefa de compreender esse estado social de coisas, discriminar o crime, não nos deixarmos levar pelo ódio, que a todos cega e impede de pensar.
Redução de maioridade penal é vingança social característica de uma sociedade que não quer pensar sua legião de pobres e favelados como gente que vive à margem de toda a estrutura, em condições indignas. falar em redução da maioridade significa querer permanecer na escuridão e acreditar em um mundo que se resolve com soluções punitivas.
Reinserção social para um jovem que comete esse crime? Não creio também. Infelizmente entendo que esse jovem está irreversivelmente desumanizado. E essa é a outra questão.