segunda-feira, 4 de maio de 2015

A redescoberta da imoralidade

hoje tudo está um pouco mais difícil. A espera no banco foi longa, a indiferença com que fui tratada por um animal moral também. Como animal moral, entenda gente, ser humano, homem, pessoa. Assim são denominados os seres humanos na maioria das vezes, o que apenas começa a levantar em nós alguma suspeita de que entre nós, os homens são mais considerados que as mulheres, porque a todos nos autodenominamos homens antes de sermos também, mulheres. Poderíamos ter iniciado esse texto citando um pouco do que quero refletir através da posição historicamente subalterna que nós, mulheres, ocupamos. Esse caminho não seria indigno ou superficial ou irresponsável para se contar a história do mundo. Afinal, onde estavam as mulheres na construção da história, se tão pouco delas aparece nos registros dos grandes feitos humanos? Estavam grávidas, cuidando de bebês, cuidando da casa e fazendo a comida da família ou do clã. Simples assim. São 20 séculos de história contada e protagonizada pelos homens. Afinal, enquanto eles navegavam mares nunca dantes navegados, alguém devia estar em casa cuidando das crianças, não? Ou ninguém desconfia das razões que levaram o mundo a uma superpopulação? E se hoje há uma superpopulação, é porque seres humanos não morrem facilmente, a não ser, é claro, quando não há ninguém para cuidar deles. Desse modo, é bastante simples compreender a supremacia masculina histórica.
Muito a frente, porque estou com sono e quero concluir o texto, penso que nós mulheres temos o alívio de pertencer, quase que a uma outra espécie. Não fomos as principais responsáveis por nenhuma das atrocidades desse mundo, embora é claro, muitas mulheres tenham partcipado de fatos horrorosos e não memoráveis, porém inesquecíveis. E em .meio a mais uma conjunção adversativa eu possa dizer que, apesar de tudo, numericamente nossa participação em feitos tenebrosos seja pífia quando comparada numericamente à participação masculina.
Documentário do Michael Moore: Farehneit 11 de setembro. De embrulhar o estômago. Inescapável para se entender a condição do mundo de hoje. Tive que vir aqui e escrever para acalmar um pouco o coração diante daquilo. O que são os EUA? O que é o mundo hoje? O mundo teve como principal liderança um terrorista durante 8 anos, de 2001 a 2009. E o que podemos esperar do mundo hoje em 2015? Um mundo pior, com mais ameças terroristas. Não compreender o papel de Bush e de um grupo de americanos é desconhecer o que é imperativo que seja conhecido. E é importante diferenciar o que foi Bush e um grupo do que podemos chamar de nação norte-americana. Bush personificou o mal em si. Não haverá no mundo nenhuma condição de punição suficiente a esse anti-humano. O que Bush fez com sua doutrina é irreparável.
Talvez o único consolo venha mesmo a ser o fato de que as chamadas forças de coalizão sejam repletas de homens em sua maioria. E que o Bush era do sexo masculino.
Essa é a única razão torpe para que eu tenha algum consolo. Para trazer algum alívio à minha tristeza.